Lei da Pureza da Cerveja: ainda faz sentido na produção artesanal?


Lei da Pureza da Cerveja: ainda faz sentido na produção artesanal?

Ninguém quer tomar uma cerveja de má qualidade, certo? Mas se até hoje isso pode acontecer, o problema era ainda mais comum no século XVI. Não à toa, esse foi um dos principais fatores que levou à criação da Lei da Pureza da Cerveja, na Alemanha.

A lei original aplicava-se à região da Baviera e previa o volume de bebida a ser vendido, o preço e os ingredientes permitidos na sua fabricação. Com a unificação do país, a lei — que já continha algumas modificações — passou a ter validade em todo o território alemão.

Passados cinco séculos, os novos produtores artesanais começam a questionar sua rigidez e necessidade. Eles argumentam que as possibilidades de experimentar e criar cervejas com sabores diferentes ou inéditos estão limitadas.

Para entender melhor essa questão, acompanhe um pouco da história dessa lei e seus impactos atualmente:

A cerveja antes da pureza

Antes dessa regulamentação, era comum o uso do gruit, uma mistura de ervas das quais algumas eram alucinógenas ou tóxicas. Cereais, como o centeio, a aveia e o trigo, eram escolhidos para a produção da bebida. Além deles, outros ingredientes menos óbvios, como cal e fuligem, também podiam ser encontrados nas cervejas bávaras da época.

Em meio a tantos produtos diferentes, alguns nocivos aos consumidores, o príncipe Guilherme IV decidiu regulamentar a produção e venda da bebida. Assim, no ano de 1516, no dia de São Jorge (23 de abril), nasceu a Lei da Pureza da Cerveja.

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Segundo ela, somente três ingredientes poderiam entrar na composição da bebida: malte de cevada, lúpulo e água. Mais tarde, as leveduras e o açúcar foram incluídos entre os ingredientes aceitos. Isso porque a fermentação só foi descoberta no século XIX, pelo francês Louis Pasteur.

As razões além da pureza

Guilherme IV, porém, tinha outras razões mais importantes além da necessidade de pureza para a criação dessa lei. O uso de trigo, aveia e centeio na fabricação da cerveja levou ao aumento do preço de grãos para a produção de pães. Com a nova lei, esses cereais ficavam reservados para a alimentação.

Os mosteiros tinham exclusividade na comercialização do gruit. Ao substituí-lo por lúpulo na cerveja pura, Guilherme IV retirou parte do poder político-econômico da Igreja Católica na região. Essa substituição também abriu novos mercados para os produtores bávaros e facilitou a fiscalização e tributação da bebida, graças à limitação de ingredientes permitidos.

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A Lei da Pureza da Cerveja atualmente

Somente no curto período iniciado com a entrada da Alemanha na União Europeia até a reformulação do código tributário alemão, em 1993, essa lei deixou de vigorar. Nesses cinco séculos, entretanto, nenhuma cerveja alemã conteve qualquer aditivo, como corantes, estabilizantes e outros.

Isso não impediu que fossem criados cerca de 5.000 tipos de cerveja. Com o uso de diferentes lúpulos, cepas de leveduras e até mesmo água de fontes diversas, é possível obter bebidas com novos sabores.

Por que ainda é necessária essa lei

Há pouco tempo foi provado que apenas essa lei não protegeria a pureza da cerveja. Em 2016, o Instituto Ambiental de Munique comprovou que as fontes de água da região estavam contaminadas com herbicidas. Para os contrários a ela, se a lei não protege a pureza, para quê serve então?

Alguns afirmam que a Alemanha a usa por motivos protecionistas. Pois os produtos domésticos, ao estamparem em seus rótulos que estão de acordo com ela, dariam ao consumidor a “certeza” da qualidade da bebida. Enquanto isso, os produtos de cervejeiros artesanais estrangeiros teriam maior dificuldade de penetrar no mercado alemão, já que muitos utilizam frutas ou especiarias em sua formulação.

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Outros alegam que à Lei de Pureza restaram apenas propósitos de marketing, porque o fato de segui-la não garante necessariamente uma boa cerveja. Contudo, o contrário também é verdadeiro. Afinal, com apenas esses quatro ingredientes, foram desenvolvidas inúmeras técnicas de produção e estilos da bebida.

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